29 Junho 2009

"conteggio diminuente" VII


ao sétimo dia,
finalmente a carruagem.

voltarei em breve.

28 Junho 2009

"conteggio diminuente" VI



"instabilità, ricerca e ritorno"

27 Junho 2009

"conteggio diminuente" V

não fique nem com saudades nem com remorsos.
destruir é melhor que criar,
quando não se criam as poucas coisas necessárias.

hoje é um dia importante para si.
é melhor deixar cair tudo e espalhar o sal,
como faziam os antigos para purificar os campos de batalha.

"conteggio diminuente" IV

não colocando a cena final do Bianca, que cobre o meu fascínio pelos viajantes da cidade, agradeço a sugestão da Catarina.

Michele: Porque vieste?
Bianca: Não devia?
(...)
Bianca: morango, limão, amêndoa e nata.
Michele: não ligam bem juntos.
Bianca: eu acho que sim. já provaste?
Michele: não.
Bianca: então como é que sabes?
Michele: não preciso provar para saber se as coisas ligam bem ou não. pode-se prever e assim… não se cometem erros.
Bianca : experimenta em vez de falares.

26 Junho 2009

Descobrir l ao longo da muralha


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

É ao longo da muralha que habito, que me escondo nas palavras. Nas palavras, nos poemas que me devolvem a beleza entre os sons e os sentidos. Chego de mãos vazias, e com a pele dourada tento recolher o fugitivo ouro dos dias. Escrevo no muro me acompanha a frase de Gabriel Celaya, a poesia é uma arma carregada de futuro.
As promessas esperam por mim, frágeis, acesas e as palavras de hoje, partilho-as na estação do cio, como um segredo. O mais puro.

O mapa do amor
O Futuro é sempre próximo. Da ponte sobre o Tejo vejo que a sofreguidão pela frescura do mar flui sem espera, mas não hesito: a selecção de António Pinto Ribeiro merece que a brisa do mais vivo jardim da cidade, me roube um mergulho no Atlântico. Ao longo de 80 metros, os poderosos jardins da Fundação Gulbenkian erguem-me à visão da refulgente poesia. A iniciativa do programa Próximo Futuro que se dedica às novas gerações criativas da Europa, América Latina (e Caraíbas) e África, deita-me num dos almofadões de cores rasgantes que se espalham pelo percurso. Por instantes oiço as estrelas a dizerem tsau, e recomponho o mapa do amor, nos corpos desconsagrados. Deixo-me reconquistar pelas árvores de Manuel de Barros, rendo-me à doçura da vida de Sophia. E porque estamos na estação do cio, deixo-me atravessar o limiar de olhos fechados. Hoje a cidade está aqui para mim.

Acende-te poesia
Lisboa invade-se pelo silêncio. O silêncio das palavras eloquentes, no sentido de promover novas tendências artísticas e urbanas. Tornando ainda mais cúmplices a música e as sentenças, dos debates, das conferências e das leituras encenadas do Festival do Silêncio, reflicto o audio-livro. Desde que me elevo a ouvir o “queria de ti um país” de Mário Cesariny no cd da Assírio “os poetas, entre nós e as palavras” não questiono a distância das aromáticas e sublinháveis páginas dos amigos puros. Substituir a vastidão palpável do meu “Anjo Mudo” de Al Berto num mp3, não estará nos meus planos mais próximos. Mas porque me rendi ainda mais a Cesariny com o testemunho da Autografia – obrigada Miguel Gonçalves Mendes – tenho já biblioteca atlântica os 34 poemas gravados por Vasco Pimentel, lançado na passada sexta-feira no Goethe Institut. Também a não perder esta sexta, na caixa de música mais poderosa de Lisboa, o Concurso Poetry Slam. Uma tendência das mais excêntricas capitais do mundo, onde em três minutos de palco, os mais destemidos poetas da cidade declamam as suas poesias mais acesas.

Na mais límpida realidade do tempo
Usada também para concertos, o edifício mais antigo de Amesterdão - Oude Kerk – mostrava-me sempre a inauguração da fundação fotográfica holandesa fundada em 1955. Num edifício igualmente admirável e à beira do nosso Tejo, a 52ª edição do World Press Photo mostra-se em Lisboa, no Museu da Electricidade. A minha partilha nestas páginas – e opto por não partilhar as imagens violentas - elege as mais sublimes congelações: “Model” do italiano Giulio Di Sturco, “The Raw File” da americana Brenda Ann Kenneally, e “Noor for Positive Lives” do espanhol Pep Bonet. Muito mais que qualquer locução, uma exposição que me envolve e resgata à mais límpida realidade do tempo.

24 Junho 2009

"conteggio diminuente" III

Morre lentamente quem não viaja,

Morre lentamente quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

P.N.

chorai, chorai poetas do meu país

depois das sardinhas fumantes e muitos brindes com o Martins, no Pateo 13 em Alfama, o Clube Lusitano e as ruas de Sé enchem-se de alegria e suor muito válido para chorar, mas de outra maneira. obrigatório e imperdível, todas as terças.



mais aqui e aqui

"conteggio diminuente" II

entre mim e o meu silêncio
há gritos de cores estrondosas

P.N.

22 Junho 2009

"conteggio diminuente"


prometo não tocar às campainhas
com a história do pasteleiro trotskista.

21 Junho 2009

coming soon

video

mais aqui.

19 Junho 2009

Descobrir l quando a cidade tem sentido


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Na partilha de uma Lisboa de hoje, de uma Lisboa de sempre, estendo-me num abraço ao céu por viver os testemunhos de uma cidade com sentido. O depoimento de duas salas de jantar onde me inundo das minhas mais profundas raízes e a certeza de que não preciso de viajar na genialidade das páginas de Eça de Queiroz para imaginar o sabor de uma orchata.
Esta semana “vai de refresco”, e vai muito bem.

17 Junho 2009

amor cachorro



quando admiro de longe,
tenho sempre receio de chegar mais perto.

mas numa das esplanadas mais douradas da cidade,
e com o poder fulgurante das palavras
confirmo a beleza,

a genialidade.

do Jordi,
quase tudo aqui.

num feixe de luz



É como uma pele especial que escrevo sobre Amesterdão. Com morada nesta pequena grande cidade durante três anos, partilho com conhecimento de causa a genuína energia da capital holandesa. Longe das atracções mais básicas dos coffe shops ou do red light district está uma cidade consistente. Detentora de muitos dos melhores arquitectos do mundo e com um planeamento urbano notável a preservação de Amesterdão é um exemplo de cidade. Fruto duma herança calvinista, o rigor e o orgulho andam sempre de braços dados a um prático e conciso sentido de vida. Mas Amesterdão, mais do que uma romântica cidade de canais e casas intocáveis é uma cidade de constastes, não fosse um dos países mais criativos da Europa do Norte. Habituados a construir a sua morada aliada a um sentido de mundo, reminiscente ao período das descobertas, Amesterdão divide-se num feixe de luz entre uma morada de holandeses e estrangeiros. Com uma estética perfeita, sempre entre o que já existe e o que se constrói de novo, a cidade estende-se ao som das bicicletas e a uma dinâmica que funciona sustentada na simplicidade. Janelas sem cortinas, casas repletas de livros, jantares à beira da magia que invade a noite nos canais, tornam singular a sua realidade sobre água. Se não tenho saudades de uma cidade onde o tempo não conquista nenhum coração latino, recordo com carinho a frontalidade de um povo transparente, o fim de tarde a patinar no Vondelpark, a excelência museológica, os passeios de bicicleta, as cores perfumadas que invadem Keuknoof em Abril, as livrarias e lojas criativas, as incontornáveis sopas de tomate ou tartes de maçã do Café De Jaren, ou os ousados minutos de Sol que iluminavam a cidade. Sempre por momentos.

Lisbon Golden Guide, Junho 2009

expulsão



andava com peso na consciência de não acompanhar a transversalidade do que se passa à minha volta. depois de expulsar a televisão do andar atlântico, apareceu o twitter em meu auxílio: é o mesmo que enfiar o Rossio na Betesga. Tudo em proveito da minha sabedoria. Estou rendida.

16 Junho 2009

"digam-me como é uma árvore"


a poesia é uma arma carregada de futuro G.C.

14 Junho 2009

eros

mesmo sem a sublimação que sempre me habituou, a história de Wong Kar Way, habitada de ego frágil e sublime perserverança, destaca-se grandemente das histórias de Michelangelo Antonioni ou Steven Soderbergh.

cama algodão


esta imagem sempre foi uma das minha preferidas dos registos de Yann Arthus-Bertrand.
para quem não teve oportunidade de ver o Home, e porque o Mundo que habitamos precisa e merece, mergulhe aqui.

12 Junho 2009

o sagrado

ou uma espécie de grito do homem que sonhava voar.

video
acredita que se pode morrer de amor?
também se pode morrer de falta de amor.

video
é a única coisa que há para acreditar

os excertos são da Autobiografia de Miguel Gonçalves Mendes, sobre Mário Cesariny
(para quem ainda não viu: é obrigatório este enorme testemunho de beleza)

11 Junho 2009

"liberdade"




o amor

08 Junho 2009

A cidade na ponta dos dedos l A cidade transportável



clique na imagem ou se é assinante aqui.

A permissão de um franchising de chocolates artesanais, uma loja irreverente que nos orgulha de viver em Lisboa e ainda a mais cúmplice mala da cidade, elege uma capital que se constrói cada vez mais solta e consistente.

publicado na Revista Única do Expresso, a 6 de Junho 2009

a verdade

Vou-vos dizer a verdade: Eu minto.

Não quero ser derrotado, quero render-me.
Quando os corações velhos aprendem amores novos, o mundo recebe na cara cínica que tem, uma escarreta de esperança.
É bonito e corajoso, isto de amar outra vez.

Durante muito tempo pensei que o amor era um exercício de equilibrismo – bonito pelo desastre iminente, difícil por ser impossível o dar ser igual ao receber. Mudaram a minha ideia e a minha experiência. Não estou a aprender a amar de novo, estou a perceber outro amor. Desta vez não é dois contra o mundo, nem um a salvar o outro. Desta vez estou ligado, sem tratados e mesmo assim unido. Não estamos, somos juntos. E percebi agora que nenhum inglês poderia dizer assim este amor.

Já vos disse que sou Outro Romântico e que acredito que o amor se deve espalhar como manteiga. Ser um pinga-amor é mil vezes melhor do que ser um pinga-na-cueca. De que vale um amor guardado? O amor não vale mais por ser vintage, ou estar em mint condition. Ama tudo muito, ama tudo o que conseguires, sempre de peito escancarado. E isto é o que tenho vindo a perceber e a insistir em acreditar. Mas depois há o medo.

O medo de encontrar para voltar a perder. O medo de magoar e ser magoado. O medo de, mesmo juntos, nos sentirmos sozinhos. O medo de não querer a mesma coisa. O medo de descobrirmos que é tudo uma ilusão boa. As cicatrizes são como os elefantes, têm muito boa memória e ocupam demasiado espaço numa sala. Por isso é que uma das partes mais bonitas e determinantes de um amor novo é o showcase das cicatrizes (ou dos elefantes, como queiram). Mostrar ao outro onde e como fomos magoados, aproxima ou afasta. “Olha, este é o meu elefante gostava que o respeitasses e se conseguires, que o percebesses. Ele eventualmente há-de ir à sua vida. Obrigado.” Depois, é o vai-ou–racha.

Amar outra vez vale o esforço.

E é um esforço, não digam que não. Voltar a arranjar espaço e força, para deixar entrar alguém novo. Conseguir estar consciente para não repetir padrões antigos, aqueles responsáveis pela tua parte nos desastres anteriores. Controlares-te para não pedires demais nem dares de menos. Uma canseira. E isto tudo perde toda sua desgraçada importância quando um abraço sabe a casa e o cheiro do pescoço dela é inacreditavelmente familiar.

Primeiro amor há um, a partir daí os sonhos indoutrinados Disney já não fazem tanto sentido, pois não? Tem-se cuidado, demora até mais tempo a inventares um nome para o teu novo amor: não é logo o baptismo, aquela alcunha íntima não aparece com tanta facilidade e quando aparece não é tão cootchy como das outras vezes. Escaldados, não conseguimos ter tantas certezas. E aqui é que se dá o volte-face: Não sei, e estou confortável com isso. Não há necessidade de promessas nem de fantasias de para sempre. Não faço a mínima ideia para onde vamos, mas quero ir. Não sei e sinto-me bem.

Não tenho medo porque já aprendi que não se põem as fichas todas no mesmo número. A pessoa que amas não deve, nem consegue, ser ao mesmo tempo amiga, amante, confidente, terapeuta, colega, parceira de copos e inspiração – é perigoso para ti e extenuante para ela. Não tenho medo porque, desde que eu continue a sentir que ela está comigo porque quer estar comigo, está tudo bem. Não tenho medo porque o que estou a sentir, mesmo sem ter lógica nenhuma, faz todo o sentido. Não tenho medo porque tenho-vos falado das nossas invenções para sobreviver, tenho pensado nas minhas e nas nossas mentiras e agora sinto e sei que isto é verdade. Não tenho medo e não consigo parar de pensar nela.

Eu já era, mas agora estou apaixonado. Queria só que soubessem isso.


Quimpostor no blog do Lux

07 Junho 2009

it just happened



porque é que os holandeses ficam mais luminosos
na senda da calçada portuguesa?

06 Junho 2009

blue velvet


(mesmo sem perceber porque tenho de ver filmes na Cinemateca com legendas em castelhano)

no limbo
e na redenção ao blinding light of love,
a persistência do outro lado da margem.
it's a very strange world.

no final,
as túlipas abrem-se a amarelo.


05 Junho 2009

Descobrir l Quando Lisboa se incendeia


clique na imagem ou aqui páginas 36 e 37.

Com a energia consistente de quem constrói a melhor meia hora do dia e numa alegria serena, de quem se surpreende todas as semanas por ver acontecer a minha Lisboa, não poderia deixar de partilhar a mais importante fábrica da cidade, o Lx Factory. Quem lá passou no open day sabe do que estou a falar. Lisboa acende-se perseverante nesta morada e, olhos nos olhos, testemunho um lugar onde me revejo na poesia de Herberto Helder: não há fogo sem incêndio. Porque é ainda tempo de conhecer outros lugares sagrados, ainda uma morada, onde o apaixonante T.S. Eliot um dia me segredou que os saborosos mares de silêncio jamais permitirão as crises do instante.

o redentor

enquanto me ensinas a olhar para as coisas,
agradeço e aceito,
sempre no abraço largo.


(obrigada R. pela partilha)

04 Junho 2009

Personal Time 2 l Junho 2009



O Verão tem coisas que não precisam de nome é uma frase do poeta José Tolentino Mendonça que me acompanha sempre que vivo a estação azul. Porque queremos que cada vez mais alcance a mais valia do projecto Personal Time, este mês tivemos a ousadia de escrever esta newsletter mais perto do seu tempo pessoal. Seja com a partilha do novo projecto do chef Henrique Sá Pessoa, seja com o restaurante mais aquático do Porto, seja num fim-de-semana onde a terra acaba e o mar começa ou numa viagem de sonho à mais romântica das ilhas em terras de Helena, as escolhas erguem o seu espaço mais limpo. Porque é preciso tempo para conhecermos melhor a verdadeira essência dos rostos da cidade, uma conversa com um homem que terá um papel fundamental na revitalização do Largo de Santos, um verdadeiro testemunho de perseverança na implementação dos seus sonhos. E porque gostamos de desafios, ainda nesta edição de Junho, uma pergunta pertinente: será que o tempo nos constrói?
mais aqui

to dive



talvez pela cumplicidade perdida,
num sitio tão frágil como o mundo,

talvez pelo inconformismo
dos sorrisos tantas vezes negados
da terra que hoje habito,
talvez
pela linguagem dos poetas,
na margem de Ruy Belo,
na imensidão de Pessoa,
ou nos incêndios de Herberto Helder,

quis o destino que eu tropeçasse
onde tudo começa.

02 Junho 2009

de vagar


a imagem foi roubada na Vu Mag, na Ler Devagar do Lx Factory.
jamais saberemos como nasceu o desejo do poema.
quando as mãos encontrarem as mãos, e os olhos de um cegarem no fundo dos olhos do outro - recomeçaremos tudo.
lá fora é outra vez verão.
A.B.

01 Junho 2009

chacun son cinéma

de la déclaration d' amour à la salle du cinéma, nomeio
Abbas Kiarostami (os três minutos mais comoventes), Alejandro Gonzalez Iñarritu, Walter Salles, Roman Polanski e como não poderia deixar de ser o maior dos mestres, Wong Kar Way.

cordoAMA II

video

a cidade dança?

para quem se lembra da dança da T-Mobile na estação de Liverpool em Londres, aqui partilho a acção na nossa Praça Camões para comemorar os quatros anos do Hotel do Bairro Alto.

(não se esqueçam de reparar nas velhinhas gaiteiras).

31 Maio 2009

dedos nos dedos

cordoAMA



30 Maio 2009

anjos urbanos



Inaugurou da semana semana a exposição do fotógrafo José Cabral, Anjos Urbanos, na P4 Photography Gallery. Os trabalhos apresentados (resultantes de 1979 a 2002) são fotografias de crianças vivendo em Maputo, no Moçambique. Nascido em Lourenço Marques (Maputo) em 1952, José Cabral é um dos mais famosos fotógrafos de Moçambique. É o primeiro a fazer a transição entre o tradicional fotojornalismo documental e uma fotografia mais pessoal.

mais aqui

29 Maio 2009

o poder da voz


O Ípsilon deu um enorme destaque à Carminho. E fez bem. (há anos que previa a consistência desta voz).
Não tenho medo, sabe? Agora estou a viver isto e a gozar isto. Se eu começar a preocupar-me com o que vem aí não gozo o que estou a viver agora. As coisas foram sempre acontecendo. Há-de vir aí qualquer coisa.
O registo do irmão de sangue também vale a pena. Esta interpretação do deslumbrante homem da cidade de Ary dos Santos na voz do Francisco é absolutamente avassaladora.
Alguém sabe do rasto deste Deus grego do fado?




Descobrir l na extensão dos campos imprecisos


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

É na extensão dos campos imprecisos, que abraço a beleza das montanhas da margem do Douro. Perante um cenário que, acima de tudo, deve ser entendido como uma pura contemplação ao êxtase, a morada privilegiada rende-se à perfeição do rio sereno. Esta semana, e com as palavras de Torga, um elogio a uma paisagem mais secreta e mais nossa, que veio do incêndio simplesmente, para refrescar o mundo.

"might" fever





28 Maio 2009

simbiose



talvez fosse esta a chuva de Al Berto,
a chuva que limpa a morte dos dias.

video

27 Maio 2009

"deixa-me dar-te o Verão"



nas madrugadas em que perdemos a lanterna,
nas noites em que sonhamos a cores,
mas acordamos a preto e branco,
inundo-me com os poemas do Tolentino.

se às mãos devemos também
a solidão mais implacável,
se hoje tenho coragem
para arder a minha casa e fugir de bicicleta,

as palavras do poeta, hoje distante,
abraçam-me antes de partir.

o Verão,
tem coisas que não precisam de nome.
e hoje,
hoje não deixo o amor
refém dos mal entendidos do mundo.

26 Maio 2009

cinelençol


é já na quinta-feira, a primeira sessão de public screening de curtas metragens de YouTube em Lisboa. O MAL improvisa a sala de cinema em pleno jardim, na meia-laranja defronte da Casa do Marquês de Pombal. Para quem não sabe é na Rua do Século, a um salto do Bairro Alto.

25 Maio 2009

comming soon


O System (re)Active, é a reactivação do projecto de design System 2k07. Esta linha de malas e outros objectos define-se como um sistema aberto de design, onde num permanente work in progress se desenvolvem novas valências e soluções segundo premissas projectuais definidas internamente e questões emergentes afectas ao melhor desempenho dos produtos. Este projecto tem uma forte componente comercial e de evolução gráfica, formal e funcional e apresenta-se pela primeira vez em Portugal na cidade do Porto. Conta com o apoio de Galeria de Arte Fernando Santos e Appleton Square.
mais aqui.

24 Maio 2009

plataforma revólver



num dos mais promissores bairros de Lisboa,
obrigatória a exploração até ao cume,
no 84 da Rua da Boavista.

na margem do dia claro



sem nome,
ou tempo que o nomeie
e enquanto o vento invade
o oculto lugar sagrado,

em silêncio,
ou de mãos atadas,

hoje,
o tempo
espera por mim.

elegy

o animal moribundo ainda não estreou esta semana.
como redenção, aqui fica o conto de natal.
está no king e aconselha-se aos mais inconformistas.

22 Maio 2009

GQ l Pelas ruas da cidade



antes de libertar o texto queria partilhar que em nome do"deserto do mundo", vale a pena comprar a edição em papel, para ler a cumplicidade do MST com a sua Mãe Sophia.

Na terra da alegria
É num voo limpo que me estendo na calçada mediterrânica de Barcelona. Longe da arrogância que muitas vezes a descreve, as pétalas desta cidade chegam-me pela gentileza não esperada dos catalães que me ajudam a transportar uma mala que não é de cartão. Sem imaginar de frente os planos de Ildefonso Cerdà, numa cidade onde habitam os sorrisos largos, o equilíbrio e a criatividade, os habitantes reflectem-se vivos a qualquer hora do dia. Seja pelas geniais bicicletas bicing’s à disposição dos moradores, seja pelas frondosas árvores que acolhem o movimento das ruas, seja pelas esquinas canteadas, a sensação é de uma imensa liberdade. As grandes descobertas do reencontro com a capital catalã tiveram dois momentos elevados: um quando sem expectativa descobri a recente e deslumbrante livraria Bertrand no número 37 da Rambla Catalunya, no antigo Cinema Alcázar e o segundo quando me perdi sem tempo na Kowasa, uma das melhores livrarias de fotografia europeias, no número 235 da Calle Mallorca. Elevando as seguintes imagens de redescoberta, a energia do bar do Hotel Oom faz-me esquecer por instantes a falta de jardins no centro da cidade. Se os aeroportos me estendem sempre a uma intimidade do desconhecido, nesta morada vivi uma das mais ricas experiências da cidade de Barcelona. Com uma energia eclética e do mundo é a seguir ao jantar que o hotel ganha uma dinâmica mais viva entre os viajantes presentes. O lugar de eleição é na Arne Jacobsen Egg Chair de cor verde, que junto à empilhada e exclusiva prateleira de livros à disposição, nos resgata a uma flute de champagne obrigatória.

No mais trendy hotel da capital
É sem dúvida o mais fashion hotel da capital e na busca da perfeição, emprestava-lhe a vista da varanda do hotel do Bairro Alto. Mas porque este hotel brilha sem precisar da magia do Tejo, a estética do Fontana Park Hotel é suficiente a uma capital que peca por falta de moradas para viver after work. Porque o ponto de encontro se constrói pioneiro, o convite abraça todos os dias da semana, numa experiência de bar de hotel, um local sempre fulgurante nas restantes capitais europeias. Com uma aposta forte na conquista dos viajantes da cidade, as segundas-feiras oferecem um cocktail Sensation no restaurante Saldanha-Mar, as terças e quartas além de um DJ ao vivo, presenteiam respectivamente miniaturas de sushi e aperitivos portugueses com qualquer bebida. Às quintas uma fusão de aperitivos mixfood & design e às sexta uma bebida na escolha do buffet mediterrânico. Ao Sábado a dádiva goza de uma noite japonesa, com menu degustação no restaurante Bonsai e o Domingo serena-nos com o chá das cinco, num dos terraços mais relaxantes de Lisboa.

Na linha da frente
Sempre na linha da frente como a mais extraordinária morada de gourmet da capital, o Delidelux abraça o Tejo, desta vez, com os chocolates artesanais da Bovetti. Negro, de leite ou branco, a escolha é sábia: com pepitas de framboesas, menta azul, gengibre, laranjas confitadas, pimenta, chá, lavanda, canela, ou violeta, as tentações são apetecivelmente originais. A destacar ainda as versões biológicas com pura manteiga de cacau, e a versão das tabletes de chocolate com originais pedaços de urtiga.

a menina canta?


na mais extasiante varanda da cidade, fui abordada por um estrangeiro que me perguntou se era "aquela famosa" cantora portuguesa. infelizmente não me soube explicar qual.
segredei-lhe que esse teria sido um outro destino
o mais magnânimo.

addicted to


ou um orgasmo auditivo.

mude


o mude inaugurou hoje ao fim da tarde.
um notável pau de fósforo
para a mudança de energia da restante Rua Augusta?





21 Maio 2009

Descobrir l um toque mais puro


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Se a Cleópatra ou mesmo Maria Antonieta partilhassem os tesouros de uma pele exemplar acreditaria que seriam da mais consistente marca de cosméticos do mundo. Com uma gaivota no logotipo, roubado ao filme Jonathan Livingston Seagull, Albert Laporte ilustra a simplicidade a filosofia que tanto tem defendido ao longo da sua carreira: o ser humano existe para aprender e deixar uma herança de conhecimento. Tudo por um toque mais puro.

o animal moribundo



David Kepesh tem cabelos brancos e mais de sessenta anos, é um eminente crítico cultural da TV e conferencista de grande mérito numa universidade de Nova Iorque, quando conhece Consuela Castillo, uma estudante bem-comportada e de boas maneiras, com vinte e quatro anos e filha de exilados cubanos ricos, que lança imediatamente a vida do professor num tumulto erótico.
Desde a revolução cultural dos anos 60, quando deixou a mulher e o filho, Kepesh experimentou viver aquilo a que chama uma “virilidade emancipada”, fora do alcance da família ou de uma parceira. Ao longo dos anos refinou essa exuberante década de protesto e licenciosidade com uma vida ordenada em que é simultaneamente livre no mundo de Eros e estudiosamente dedicado na sua actividade estética. Mas a juventude e a beleza de Consuela, “uma obra-prima de volupté”, transtornam-no por completo e uma enlouquecedora possessividade sexual transporta-o aos abismos do ciúme deformador. A despreocupada aventura erótica evolui ao longo de oito anos para uma história de cruel perda.

a adaptação do livro de Philip Roth estreia hoje no cinema.


a noite abre (...)



um nome arde tanto
de repente todos os caminhos parecem de regresso
a vida por si mesma não se pode escutar demasiado
a vida é uma questão de tempo
um sopro ainda mais frágil

a rapariga desce à pequena praça,
compra uma flor para ter na mão
uma forma intemporal de conservar
a perfeição ou a incerteza.


J.T.M.

19 Maio 2009

Magnética #6



a Magnética continua deslumbrante.
no número seis, uma elevação ao cinema português.

no desenho

no desenho,
uma das mais sublimes transpirações de O'Neill.

18 Maio 2009

miss Ελλάδα


hoje tive saudades disto.

17 Maio 2009

bilhete postal


as palavras. trago-as comigo.

velocidade feérica


bastante metafísica para não pensar em nada

16 Maio 2009

The L.S. by J. Alfred Prufrock




T.S. Eliot lido por Ian McKellen
roubado daqui

15 Maio 2009

Descobrir l no plano maior


clique na imagem ou aqui páginas 14 e 15.

A minha Lisboa cresce acesa. No resgate da intimidade procuro lugares que me estendam a uma capital mais sincera. São projectos como a Trem Azul e como a Poesia Incompleta que me enaltecem numa cidade que se mostra nos exemplos rasgadamente ousada. Porque a felicidade contorna sempre os minutos mais limpos, partilho estes dois projectos como testemunho de uma Lisboa consistente que sem medo arrisca a visão de um dia ascendente. Na extensão do sonho alcançado pela realidade e recordando os meus dias na antiga Batávia, ainda uma das mais fascinantes livrarias do mundo. Sempre por um plano maior.

13 Maio 2009

to hostel


são três os nossos hotéis baratos e com charme
eleitos pelo The Guardian
como os melhores do mundo.

para ler aqui.

12 Maio 2009

a dança das palavras



com o apoio da Assírio & Alvim,
hoje são retomados os recitais de poesia no Bar da Barraca.
uma iniciativa louvável do Changuito,
que receberá Pessanha, Cesariny, Herberto e O'Neill.
todas as terças de Maio às 22h, a entrada é livre.

11 Maio 2009

espectros




A cidade na ponta dos dedos l com o calor do Sul



clique na imagem ou se é assinante aqui.

No acolhimento à cosmopolita atmosfera paulista, Lisboa recebe um dos artistas de intervenção urbana mais conceituados a nível mundial. Ainda uma das coberturas mais famosas do mundo e os frutos secos da Boa Boca Gourmet, uma das marcas portuguesas mais divulgadas na revista britânica Wallpaper.

publicado na Revista Única do Expresso a 9 de Maio de 2009

"permanecer"



na eloquência do Tolentino,
no sempre abraço do amigo intenso,
na dádiva do tríptico de Herberto Helder,
ainda o reencontro
com um dos mais perseverantes monólogos do cinema.

nos dias felizes e não distantes,
nos tempos
em que somos tantas vezes estancados pela geração facebook,
olho com gratidão o momento elevado.

hoje,
basta-me o testemunho e a consistência

do amor raro.

08 Maio 2009

coming soon



já reparam
nas copas dos jacarandás que enobrecem a cidade?

Descobrir l no solo da criatividade


clique na imagem ou aqui nas páginas 12 e 13.
A adrenalina suave da cidade de Barcelona merece a dedicação completa destas páginas. Numa semana onde a capital catalã se encheu de mundo para nomear o vencedor do El Botón El Botón Mango Fashion Awards, partilho o pensamento do criador Oscar de la Renta, quando verbaliza que para uma planta crescer, muitas terão de ficar pelo caminho. Porque o solo é de criatividade, as vistas das montanhas guardam-se convictas aos perseverantes.

07 Maio 2009

o número um



depois do número zero, o número um.



mais sobre a Personal Time aqui.

"you already have the most difficult”


há quase um ano partilhei a minha Lisboa numa mesa de café no Fabrico Infinito do Príncipe Real. Um sueco (fotógrafo) e um holandês (jornalista de viagens) maravilhavam-se com a minha cidade e chamavam-lhe de “criativa, energética e tímida”.

a paixão foi tão grande que hoje recebo por e-mail este portal de imagens da nossa capital, em homenagem a uma visita que se fez transcendente.

the love boat


os contentores sempre me estenderam à ideia de mundo,
mas percebo que virar a cidade de costas ao rio
seja um pecado muitas vezes cometido na minha cidade.
(estou a pensar em bazucas e no que fizeram ao Cais do Sodré),

mas hoje não vou debater ideias, nem defender causas.
o tão esperado i está hoje na rua e trouxe-me esta notícia.

a verdade é que adoro jardins,
mas vou ter saudades dos love boat na margem do meu Tejo.

06 Maio 2009

the Europe's most scenic capital



a nossa Baixa Pombalina está listada para voto nas seven urban wonders of the world.

ainda sobre Lisboa, o UCityGuides considera a nossa capital the Europe's most cenic capital and one of the world's most soulful cities:

Lisbon, The first capital of the global village.
Can Lisbon be Europe's new capital of cool? The words "new" and "cool" haven't really been associated with this city since the 16th century when it ruled over the world's first global empire, extending from Brazil to India. Vasco da Gama's expedition to the East brought it cultures and a touch of the exotic that Europe had never seen before - spices (cinnamon, pepper, ginger), foods (potatoes, pineapples, tea) and animals such as the elephant and rhinoceros that paraded by the city's waterfront.

para continuar a ler aqui.

a imagem é do RCB, com exposição patente aqui.

a margem


é no seu coração que todo o homem ri e sofre
é lá que as estações recolhem findo o fogo
onde aquecer as mãos durante a tentação
é lá que no seu tempo tudo nasce ou morre.

hoje,
o que é preciso é dar lugar aos pássaros
nas ruas da cidade.
R.B.

05 Maio 2009

a menina dança?



na continuidade do poder do toque,
e esta imagem não seria possível através do facebook,
a "caralivro" do HG
publicado no jornal do Lux.

O facebook permite-nos ser glamorosomente interessantes mesmo que estejamos em casa de cuecas, ou no escritório, enquanto esperamos uma reunião com pessoas que não lavam o cabelo com a devida frequência. No escritório, estamos debaixo de luzes fluorescentes, agoniados pelo bolo alimentar do colega que mastiga a sandes de carne assada. Mas abrimos o Facebook e, de repente, estamos noutro lado, onde podemos partilhar um vídeo de Dean Martin a cantar “Sway”, e recriar um sentimento de copo de whisky na mão, smoking com o laço maltratado e a possibilidade de um romance que dure até de manhã. Não estamos sozinhos: somos generosos ao ponto de partilhar a banda sonora do nosso dia com os duzentos amigos da nossa rede social de internet. Também eles, ainda que por dois minutos, estão com vontade de deslizar pelo chão e cantar: “When marimbas rythms star to play dance with me make me sway”.

Para a maioria das pessoas a vida é como o Fernando: umas vezes a pé, outras vezes andando. Ou seja, aborrecida e conformada. Condição que se agrava se tivermos em conta que a maioria das pessoas não faz o que gosta: seja lamber envelopes ou usar máquinas de calcular para fechar balanços.

Como dizia Tom Wolf: “A realidade é um bom sítio para visitar mas eu não viveria lá”. Claro que Wolf se referia à realidade de lamber envelopes enquanto se vê telenovelas.O facebook não tem as qualidades risonhas do Prozac, mas parece-me ser um estímulo para que as pessoas ponham a cabeça a funcionar (um bocadinho mais).

No facebook recuperou-se esse espírito de competição e vaidade (tudo coisas boas, já vão perceber) que tínhamos nas salas de aula – queremos ser engraçados, interessantes, atraentes. Queremos acreditar que temos alguma coisa para partilhar e que as nossas ideias ou gostos irão tocar os outros, melhorar-lhes o dia durante uns segundos.

O facebook faz-nos mais interessados e mais generosos – seja a partilha de uma notícia do Jakarta Post, uma petição para que os bares do Bairro Alto fechem depois da duas, uma canção da Likke Li (descobri-a no facebook através de uma amiga) ou uma frase do John Updike (esta usei-a eu): “Somos seres criadores, potentes e plásticos, o mundo na nossas mãos. Estamos a brincar com dinamite.”

para continuar a ler aqui

04 Maio 2009

van boeken

video

na excepção,

raros
são os momentos
de saudade calvinista.

in Blibliotheek Eindhoven

aquapura

video

as labaredas aquáticas,
revelam "o poeta",

há homens
com quem se pode aprender a ver
aquilo que dentro de nós existe
e não sabíamos.

the super aunt



quando registei este imagem
estava longe de imaginar que no espaço de 12 meses
de 1 passariam a 4.
A vida é, ou não é, abundância?

da nossa passagem

o legado da nossa passagem do JPC na Folha
Vou esquecer as mensagens de celular, porque elas são um tipo de linguagem tribal.
LEIO O "Daily Telegraph" com o café da manhã e encontro em letra de forma uma das minhas múltiplas lamentações. Falo de cartas. Da ausência de cartas em nossas vidas cada vez mais rápidas, cada vez mais áridas. Conta Michael Deacon, colunista do jornal, que as únicas cartas que recebe são as do banco. Linguagem técnica, linguagem tétrica, sem a grandeza das grandes missivas. Porque essas, as cartas de amigos ou inimigos, amores ou traidores, deixaram simplesmente de aparecer no radar.
Sinto inveja de Deacon. O banco, o banco, o meu reino por uma carta do banco. Infelizmente, nem isso: para poupar dinheiro e comprar o uísque das crianças, recusei o serviço tradicional, mais caro, e passei a fazer depósitos ou transferências pela internet. Aqui a casa, os correios não vêm mais. Já pensei em escrever cartas a mim próprio, meditações estoicas na linha de Marco Aurélio, só para dar uma alegria ao carteiro. "Senhor, finalmente uma carta!", diria ele , como se tivesse encontrado a Atlântida perdida. Mas os dias passam e ninguém escreve ao coronel.
Recebo o que todos recebemos, sim. Vou esquecer as mensagens de celular, porque elas não pertencem propriamente à linguagem escrita. São, digamos, uma forma de linguagem tribal, que Darwin teria integrado nas suas investigações antropológicas para provar as nossas origens símias. Os brasileiros têm a palavra perfeita para designar a natureza ofensiva, letal, quase bélica, dessas palavras rupestres: "torpedos". Abençoados sejam, irmãos.
Recebo "torpedos" como os meus antepassados recebiam as flechas amedrontadas dos índios. E recebo, em quantidades que me abismam e entediam, e-mails. Vantagens? Mil, admito. Desvantagens? Mil, admitam. O problema do e-mail é a sua evidente facilidade: em minutos, escrevemos e esquecemos. Pior: apagamos. Ou alguém apaga por nós. Alguém nos apaga a nós.
As cartas tinham outro tempo. Corrijo. As cartas tinham outro s tempos. O tempo de pensar. O tempo de escrever. O tempo de lacrar, enviar. Esperar. Era uma forma de respeito. Mesmo que fosse uma forma de despeito. Mas as cartas eram formas únicas de comunicar ao outro a importância do outro. Como se cada carta fosse, por si só, uma declaração de humanidade. Parei para te escrever. Parei para te enviar esta carta. E estarei à espera que me escrevas de volta, quando pensares em mim e parares por mim. Brás Cubas não deixou a ninguém o legado da sua miséria. Mas tenho a certeza que, algures na sua existência imaginária, deixou cartas. E as cartas são o legado da nossa passagem.
Da nossa passagem, vírgula, da passagem dos outros. Michael Deacon, em sentença primorosa, declara: esqueçam o romance, a morte do romance e outras teses fúnebres, que alimentam o ego e o eco de certas múmias acadêmicas. O verdadeiro gênero literário que o século 21 começará por enterrar será a carta.
O empobrecimento literário pr e sente só pode ser medido pela riqueza literária passada. Deacon cita exemplos: as cartas de Kingsley Amis transportam o melhor de Amis. A ironia condensada, quase epigramática, que é possível encontrar em outros sátiros epistolares, como Philip Larkin ou Evelyn Waugh.
Concordo. E digo mais: nunca leiam nenhum autor, nunca vejam nenhum pintor, nunca escutem nenhum compositor sem começar pelas cartas. O melhor de um artista está na forma desarmante e desarmada como ele se confessa. Depois de ler as cartas de Isaiah Berlin aos pais; as cartas de Van Gogh ao irmão; as cartas de Wagner à mulher, partimos para a obra com a armadura posta. Não seremos enganados. A alma não mente.
Até agora. Até hoje. Até quando? A alma começará a mentir no momento da sua gradual invisibilidade. Escrevemos muito. Escrevemos mais. Escrevemos até demais. Mas escrevemos em areia úmida, antes da maré subir e tudo levar. O historiador futuro saberá pouco sobre a vida inte ri or dos seus antepassados. Dos nossos contemporâneos. De nós. Os amores já não se comunicam por carta. Os desamores também não.
Famílias inteiras deixarão de ser cumplicidade, tragédia ou intriga. Serão estatística nos registros oficiais. Que medos, que sonhos, que conversas banais terão os homens banais do século 21 aos olhos interessados dos homens do século 22? Silêncio. Tudo que teremos para mostrar será o silêncio das nossas vozes apagadas. E nenhum saldo bancário servirá para nos redimir ou explicar.

01 Maio 2009

urban hunting I


Pessoa all over the world?

30 Abril 2009

urban hunting II


calçada mediterrânica?

mais de 15 minutos



28 Abril 2009

associativismo


enquanto me envolves na tua cidade,
a criatividade
alcança uma extensão mais pura.

as luzes selam
o dia.

orgasmo visual



o poder das imagens
e todos os percusores,
numa morada sagrada
que me recordou a frase do português sem mestre.

entrei numa livraria. pus-me a contar os livros e os anos que terei de vida. não chegam, não duro nem para metade da livraria. deve haver certamente outras maneira de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido.

27 Abril 2009

omm



para escrever,

e tal como os aeroportos,
a energia das segundas casas do mundo,
pode ser fascinante.

25 Abril 2009

to good


não sei se Wong Kar Way conhece os gelados do Santini,
mas esta é uma notícia boa demais
para a minha cidade.

24 Abril 2009

Descobrir l com a cerimónia do chá


clique na imagem ou aqui páginas 18 e 19.

Não precisaria de rever as palavras de Wenceslau de Moraes para confirmar que o culto chá tem a virtude de mitigar a sede e de potenciar o organismo às elaborações do pensamento. Com a mais luxuosa linha de tratamentos capilares de sempre e com a chegada da Les Conte de Thé, numa das lojas mais trendy da capital, estendo-me ainda à beleza da cidade de Quioto, onde dormem os mais bonitos jardins do mundo.

indie


saque à bilheteira aqui

vem aí



o príncipe
e o Esplendor de Portugal .

numa série de nove documentários
sobre o que significa ser português hoje.

dia 13 de Maio, na Sic Radical.

23 Abril 2009

miss norway

to share


J. trocou a antiga Batávia pela nossa casa. na cumplicidade de quem percebe porque o nosso Atlântico vale mais do que a palavra eficiência, recordo o tempo habitado na minha Amesterdão.

o mar
veste-se de prata.

tram station II

video

rumo ao calor do Sul, não parti viajante sem trazer a viagem de Gerrit Komrij.

(...) para ele, esta vontade tornara-se cada vez mais intensa.

O desejo de isolamento tinha-se lentamente apoderado dele, que se sentia demasiado controlado.Também era possível que essa observação rigorosa fosse provocada por cada viagem de comboio.

Estranho, pensou Pedro, que justamente um comboio que devora tempo e paisagens nos deixe recordações tão estáticas, como se o espírito do viajante se debatesse e quisesse oferecer resistência.

Pedro afastou essas reflexões
e olhou para fora.
O coração, batia com força.

extensão


no dia mundial do livro,
sinto-me,
sento-me,
assim.

baby boom





longe de uma grande depressão,
ou de uma guerra do mundo
e no alívio da palavra crise,
tão mal gasta nos dias de hoje,

a vida será sempre
de abundância.

para o sangue da minha árvore,
e com mais um(a) a caminho,
obrigada.

22 Abril 2009

na importância do toque













na sequência dos cheiros do futuro do JPC
e para não haver enganos,
MST escreve na sua crónica as time gos by na GQ,

mas não quero a internet para substituir a vida real, para me dispensar do incómodo de ir à rua enfrentar o mundo tal qual ele é.

Eu sei que tudo isto, que todas as modas, têm apenas que ver com a mais terrível doença do nosso tempo que é a solidão. Sei que, espremido e expurgado do seu bonito palavreado, o Facebook não passa de uma agência de encontros e engates, onde uma multidão de solitários ou mal resolvidos se põe a jeito para satisfazer a sua vaidade ou vontade de sedução e mal disfarçar da solidão interior que a todos nos consome.

Mas sem ter a sabedoria de saber esperar, a liberdade de poder escolher, a dignidade de aprender e enfrentar o silêncio e a ausência de outras vozes, a coragem de sair para a rua e para a vida e olhar os outros nos olhos, escutar as suas vozes, e expormo-nos tal e qual somos, em lugar de darmos de nós apenas a nossa melhor fotografia e a nossa melhor biografia.


nem tanto ao mar.

mas a sensualidade do perfume,
vale bem a intensidade.

really falling


in love
for this woman.

21 Abril 2009

to come, around

to identify


cheiros do futuro do JPC, aqui.
imagem roubada

consistência


com a viajante do mundo,
confirmo a consistência e o tempo que passa
e constrói.

sempre.

o mundo ao contrário


com as palavras da Joana,
tempos difíceis, mas muito interessantes aqui.

A cidade na ponta dos dedos l pelo Tejo e até ao Mundo


clique na imagem, ou se é assinante aqui.
Uma esplanada que descobre o Tejo num dos hotéis mais trendy da Lisboa atlântica e um café em pleno Chiado para petiscar a qualquer hora do dia. Porque o elogio à cidade é merecido, ainda exotismo em forma de chocolate.
publicado na revista Única do Expresso a 18 de Abril 2009

evaporar

20 Abril 2009

o poder das palavras

premiado em no festival de Cannes,
a história de um letreiro ou
o fulgurante poder das palavras.

GQ l Pelas ruas da cidade


Sofisticadamente imperial
Será sempre ao fim da tarde que gosto de chegar ao Porto, uma cidade onde alcanço depressa o outro lado da margem. Sei que muitos se surpreendem, porque me sabem mais diva nos passeios de Lisboa, mas a cidade do norte ganha à capital a passos largos, no que toca a restaurantes. Sofisticados e com um serviço sempre de sorriso rasgado, no Porto mato as saudades dos meus dias em terras de Helena. E se por momentos recordo a exuberância de Atenas, num tempo que me ensinou a abraçar a vida como uma bênção sagrada, hoje confirmo que o Góshò é um lugar especial. Sexy e consistente, este é com certeza um dos restaurantes mais bonitos da nossa Costa Atlântica. Talvez porque se sente o brio de construir com paixão, talvez pelas carpas das paredes e fardas que me elevam a sensibilidade peixiana, ou porque no Porto quando se faz faz-se bem, a morada é imperial. No design as correntes amarram-nos à consistência de quem é sempre bem recebido com sake de morangos, ou o cocktail Góshò com vinho do Porto branco seco e lima. A minha eleição escolhe a espetada de vieiras grelhada com ar de eucalipto yaki hotategai e a tempura de camarão. Nas sobremesas o tiramisu de chá verde com licor de gengibre ou o fulgurante ménage à trois de chocolate. Ainda um desejo final: para quando um “Palácio Imperial” em Lisboa?

Na fusão do exotismo
Elevada, desafio as ruas da cidade. Santos agita-se na promessa do bairro mais trendy da capital. Os projectos de arquitectura ainda aguardam a concretização, que os nossos olhos anseiam. Mas Santos-o-Velho move-se, e move-se bem. Com o novo portal do Santos Design Distric – e aqui atiro pétalas, muitas pétalas para esta iniciativa que tanto faz pela cidade - este bairro abraçado ao Tejo ganhou ainda mais luz. O site partilha: como se vive, trabalha ou se goza a vida no bairro. E porque o momento merece partilho este mês o sushi mais recente do Estado Líquido. Através de um conto oriental, as paredes transpiram a emoção de uma cozinha de fusão. A mezzanine branca - que me lembra-me por instantes as camas grandes do Supperclub de Amesterdão - torna este espaço ainda mais apetecível. Seremos sempre mais ricos no ecletismo, por isso o Fusion Sushi recebe influências portuguesas e do mundo. A exploração merece um kappatini seguido de um Missô Shiro com amêijoas. A continuar o Fusion Especial, com os mais originais sushi’s de Lisboa. Pour le grand finalle, a pannacotta de gengibre com morangos afogados em calda de citrinos e gelée de sake. Se a hora já não o receber, nos telhados desta morada habita ainda lugar sagrado: um lounge onde as conversas fluem sem tempo e onde descobrimos os viajantes mais eloquentes da cidade.

Cool, Chic and Sexy
Lisboa está mais solta. Convicta das suas formas mais puras, a elegância olha de frente para o erotismo da cidade. A Pussy aparece com a Primavera, para espalhar irreverência. Com uma imagem “cool, chic and sexy” esta bebida energética não precisa de álcool ou de qualquer tipo de aditivo químico, para nos fazer sentir mais vivos. Já disponível para venda no Epicurista, pode experimenta-la em estreia nacional na Bica do Sapato. Com muito gelo e água tónica, ou acompanhada de champagne na versão Pussy Royal, esta será a bebida mais sensual do Verão atlântico.

"o caminho é o fim"

17 Abril 2009

Descobrir l nos impulsos do feminino


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Com várias viajantes dentro de si, reconheço Lisboa mulher, hoje menina, no Descobrir desta semana. Porque a minha cidade “obedece aos impulsos do seu coração feminino, com uma enorme necessidade de amar e ser amada”, a sua fusão com as histórias do mundo, partilha tesouros que enaltecem o lado cor-de-rosa da capital. Na extensão do feminino, ainda uma passagem sempre obrigatória, pela cidade luz.

the answer



16 Abril 2009

esboço II


o corpo
é a sombra das vestes
que encombrem o teu ser profundo.
FP

14 Abril 2009

to live


porque me rendi a um e-mail de uma criança de quatro anos com leucemia, hoje tentei hoje tornar-me dadora de medula óssea.
mas o sistema tirou-me o tapete e depois de ter caido para o lado, numa chaise long do Pulido Valente (gosto de lhe dar um cenário de diva), confirmei que há mais pessoas (do que imaginamos) a precisar de nós.
para quem puder alistar-se basta entra aqui.
a palavra vida agradece.

12 Abril 2009

dia branco



no dia branco,

regresso à eloquência de Pe António Vieira.
nos dias em que fazemos, realmente existimos.
nos outros, apenas duramos.

09 Abril 2009

pink Lisbon


08 Abril 2009

na sombra da perseverança


O registo é subtil, como quem alarga uma cidade com os olhos do mundo.
Devagar, o momento regista-se sólido. Ao alcançar o mais conciso recorte de vida, o vento invade as ruas e estende nas paredes da cidade poesias perdidas. Os viajantes movem-se em receio e muitos esquecem-se da palavra consistência.
Hoje é de um lugar seguro que abraço o tempo, uma passagem sem prazo de validade. Quem acorda todos os dias na Lisboa das cores vivas, sabe que este é um tempo de resistência. Erguidos ficarão os que evitarem a sombra e souberem elevar a palavra oportunidade. Os valores humanos enaltecem-se e, afinal, em tempo de transformação, aprendemos a alcançar o mais importante da nossa mais pura existência.
Hoje Lisboa ergue-se sólida e os persistentes alongam o caminho da continuidade. Em nome de uma estranha forma de existência, assim seja.
Lisbon Golden Guide, Março 2009

no exception

07 Abril 2009

to trust

once again.

05 Abril 2009

góshò


significa Palácio Imperial
e é uma das moradas mais sexy's
da terra dourada.

tudo isto

e uma message in the bottle.

a noite


O tempo passou e apesar de me teres entregue um exemplar que ainda guardo e que aliás te pertence, nunca consegui concretizar essa intenção. Reconheço que só agora me sinto capaz de partilhar, contigo, a tua NOITE. Agora, à medida que vou estando mais perto de ti, atenua-se a diferença abissal ente o ser que conheci e esse outro ser desconhecido que a construção deste espectáculo me vai revelando. Reconhecer-te-ei sempre nessa bela voz inconfundível que reúne o menino grande que emudeceu e a solidão de um artista que transcende a própria pessoa. Nunca sabemos que tornado o gesto poético pode engendrar.
Vejo-te junto do mar e através dele ressoam no meu peito as tuas palavras. Os personagens que hoje habitam a cena são outros tantos tu(s) e eu(s) que se servem da tua poesia para exercitar a aproximação à NOITE de cada um de nós. J.B.

04 Abril 2009

hoje


toco-vos
e reconheço-me.

03 Abril 2009

grateful


em nome da PT,
obrigada pelas pétalas.

PersonalTime| Edição 0 | Abril 2009


Nos dias em que viajo no poema “Baldios”, de José Tolentino Mendonça mergulho na frase “mas estamos tão pouco, onde estamos”.
É com a extensão do meu sorriso rasgado, que aceitei o convite da PersonalTime para conduzir esta newsletter mensal. Sendo o tempo o grande luxo do século XXI, apoiar um projecto genial como este dá-me a certeza de que serei uma pessoa mais feliz e com mais tempo para disfrutar o meu enjoying life.
Todos os meses convidaremos os leitores a aceitarem as nossas sugestões, as quais terão condições especiais para membros.
Desde reserva de um restaurante meia hora antes, uma viagem de última hora, um objecto difícil de adquirir, um espectáculo que não pode perder, ou o mais eloquente programa em família, todas serão razões para partilharmos consigo as sugestões mais trendy e apetecíveis do momento.
Tudo porque o nosso tempo merece
e a vida que passa também.
Para conhecer mais sobre a PersonalTime
entre no site e veja a newsletter.

02 Abril 2009

festival cinema italiano


o fim-de-semana promete ;-). mais aqui

Descobrir l à hora da luz dourada


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Já não nos podemos queixar de não haver razões para tomar um drink after work. De 2 a 6 de Maio, entre as 18h e as 21h, o bairro de eleição da capital promete acompanhar as outras cidades europeias, na alegria antes de jantar. Os cafés e restaurantes em parceria com a Associação de Valorização do Chiado vão oferecer happy-hours, menús especiais, animações e muita música. Por isso a partilha desta semana eleva os espaços mais recentes do bairro. Ainda um mergulho no eloquente verde água ou de uma das cidades mais carismáticas da Europa.

01 Abril 2009

entre o preto e o branco


diz o anjo poeta,
quando observa o cenário,

entre o preto e o branco
estende-se uma ponte.

talvez a mais bela.

31 Março 2009

luminosidade

video

adquiri um andar flutuante
como o movimento silêncioso das águas.
um andar oceânico.

há dias assim,

em que me sinto projectado para dentro de imagens duma memória futura, plena de luminosidade, onde certamente já não estarei. tenho saudades dos lugares onde nunca estive, porque nesses lugares dizem a vida continua.
A.B.

tram station


some angels never go away.

30 Março 2009

A cidade na ponta dos dedos l No poder da reciclagem


clique na imagem ou se é assinante aqui.

Entre o mais recente restaurante do bairro Alto e um café que tem encantado os viajantes que passam pelo Chiado, Lisboa revela-se cada vez mais consistente. Ainda um candeeiro irreverente, numa das lojas de design mais extraordinárias da capital.

publicado na revista Única do Expresso a 28 de Março 2009

esboço I



hoje
uma parte de mim celebra
três anos.
na distância de um país
que me ensinou a viver
a mais pura forma de vida,

hoje,

hoje danço
na minha cidade.

28 Março 2009

babygrow


a beleza do mundo
quando olhada nos rostos
dos que se movem de perto
é sempre uma dádiva
tão bonita.

27 Março 2009

Descobrir l na extensão da criatividade


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Um destaque à criatividade, com a Ray-Ban que no mundo da música, tem marcado a ligação entre o espírito rock n’roll e as tendências futuras e também os descontos e achados do Stockmarket. Ainda na extensão da criatividade, não perca um hotel numa das ilhas mais enigmáticas do momento.

26 Março 2009

"baldios"


hoje,
onde o tempo é mais limpo,
inundo a casa de freseas brancas.

o que de mais belo soube
o disse, de repente,
a alguém que não conhecia.

24 Março 2009

lost generation?

21 Março 2009

GQ l Pelas ruas da cidade


Alma em movimento
Não poderia deixar de me estrear nestas páginas sem me lembrar do meu querido Al Berto, “quando escreve que quando regressou, regressou com a ânsia do eterno viajante dentro de si”. As almas dos viajantes são assim e jamais imaginei não me chegarem as páginas, para divulgar uma Lisboa que se transforma numa cada vez mais decidida cidade europeia. Se a alma me move cada vez que deambulo pelas ruas da cidade, o restaurante Alma deixa-me emocionada, ao assistir à beleza do percurso do Henrique Sá Pessoa. Houvesse mais portugueses assim e seríamos uma cidade com mais sorrisos rasgados. Quem me conhece sabe que adoro espaços brancos e que sempre que mudo de casa, insisto sempre numa parede exclusivamente branca, para respirar do bombardeamento de informação a que me sinto sujeita enquanto viajante urbana. Por isso no Alma sinto-me em casa e se por momentos e para alguns, este possa ser um ambiente frio, peço que em vez do copo meio vazio se enalteçam a respirar fundo num espaço que é simplesmente livre. Porque os olhos também comem, as criações do Henrique são autênticas obras-primas, prontas a serem partilhadas num dos melhores momentos do mundo, aquele em que estamos à mesa com os amigos. Na partilha deixo o Estaladiço de queijo de cabra com cebola roxa agridoce, redução de xerês e salada de pêra e o Crumble de maçã e frutos vermelhos com gelado caseiro de baunilha. Ao grande criador deste novo hotspot do Santos Design District, muitas, muitas pétalas pela consistência e perseverança do caminho percorrido.
Boas Maneiras
O branco volta a invadir a minha vivência das noites lisboetas. Em contraste com os tons escuros no espaço do antigo Olivier, o 100 Maneiras voltou para Lisboa e ainda bem. Ljubomir Stanisic depois de encerrar no final do ano passado, o restaurante com o mesmo nome em Cascais, testemunha que na vida há sempre mais oportunidades. O menu de degustação aparece mais em conta, mas igualmente divinal, o que fará deste novo espaço do Bairro Alto, um daqueles lugares difíceis de marcar no próprio dia. Adorei a experiência e o melhor, não saí com vontade de rebolar até ao Cais do Sodré, já que depois do jantar continuamos leves. A elevar o risotto de cogumelos selvagens com camarões de Moçambique, o momento “grande lata” – e como gata não vou revelar tudo – ou o shot com Hendrick’s e água tónica caseira. Ainda a simpatia do Nuno – e que mais se parece com um amigo que nos recebeu para jantar – que compensa os sorrisos tristes na cidade, as pessoas que insistem em não devolver o bom dia nos elevadores ou as inúmeras vezes, que esta semana não me apareceram para instalar a artilharia tecnológica, indispensável a quem está habituado a trabalhar longe do mundo.
Eu sei quanto tempo duram as frésias
Escrevo por estas linhas a confissão: gosto de identificar as pessoas pelo cheiro. Quantas são as vezes que identificamos simplesmente pelo perfume, essa poderosa imagem de marca? A segunda confissão: gosto que me identifiquem pelo cheiro. Por isso sempre me habituei a mudar de perfume, quando a energia do céu resolve virar a mesa ao contrário. As essências acompanham-me na mudança de vida e não sei se isto vem da minha imaginação, muitas vezes me elevar ao papel de Cleópatra, mas é um dos factos mais consistentes do meu percurso de alma. Por ser uma das sensações que considero mais importantes numa cidade, não poderia deixar o meu querido Epicurista de lado na primeira vez que escrevo para a GQ. A energia contagiante de Armando Ribeiro, também conhecido pelo nosso melhor mago perfumista, descobre sempre o aroma mais certo à nossa sensibilidade. Porque esta é uma revista para homens, partilho o perfume da Ulrich Lang New York, que minimalista e contemporâneo apresenta-se com uma fusão sedutora de aromas frescos e especiarias provocantes. Ainda a estreia recente da linha de banho da minha magnânima Diptique e todas as velas desta fascinante marca francesa. O poeta José Tolentino Mendonça escreveu um dia não saber quanto tempo duram as frésias. Na versão das velas da Diptyque, dura o tempo suficiente para me perder em momentos sempre mais puros.
publicado na GQ a 20 Março 2009

20 Março 2009

Descobrir l Santos ao Alto


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Esta semana uma homenagem de sorriso rasgado ao Santos Design District. O lançamento do novo portal, o tão esperado restaurante de Henrique Sá Pessoa ou a nova colecção da Gandia Blasco fazem de Santos-o-Velho o bairro do momento. Ainda e porque a cidade merece, uma escapadela dentro de portas, sempre pelas ruas da cidade.

Blue Woman


no Blue Men.

16 Março 2009

A cidade na ponta dos dedos l Quando a alma invade a cidade


clique na imagem ou se é assinante aqui.
Um espaço cultural que elogia o conhecimento olissipográfico e a recente inauguração do novo restaurante do chefe Henrique Sá Pessoa, enaltecem a energia da cidade. Porque o elogio é feito numa capital misteriosamente feminina, ainda um brinde que deixará Lisboa de sorriso rasgado.
publicado na revista Única do Expresso a 14 de Março 2009.

13 Março 2009

Descobrir l com o poder da Luz


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Um curso sobre a mais luminosa das cidades e uma experiência sensorial que promete elevar os sentidos, fazem as honras desta semana. Ainda um hotel de charme de um dos estados Bálticos, onde a preservação de três edifícios medievais se aliam ao design de forma exuberante e surpreendente.

12 Março 2009

1975 - 2009



agradecer. muito.

08 Março 2009

podia ser de cartão


mas não é.

06 Março 2009

se a minha vida desse um filme


esta seria uma imagem a reter.

Descobrir l No elogio da beleza


clique na imagem ou aqui, páginas 12 e 13.

No fim-de-semana em que se celebra o dia da mulher, não queria deixar de iluminar estas páginas com as novidades mais acessíveis e apetecíveis do momento. Uma colecção como já não via há muito e um tratamento especial prometem resplandecer ainda mais, a beleza das mulheres portuguesas pelas ruas da cidade. E Nova Iorque. Sempre.

03 Março 2009

A cidade na ponta dos dedos l Com mais de 15 minutos de fama


clique na imagem ou se é assinante aqui.
Andy Warhol percorreu a sua vida com um enorme desafio: a maneira como se entendia a arte. Com o objectivo de fomentar expressões inovadoras, por estas linhas homenageia-se o cérebro criativo que inspirou uma das gerações mais marcantes do século XX. Ainda o hotel mais cosmopolita de Londres e a garrafa mais desejável do momento.
publicado na revista Única do Expresso a 28 de Fevereiro 2009.

02 Março 2009

face to face


Permaneço.
Da minha janela alcanço o mundo, numa viagem onde o silêncio é transbordante. Hoje onde abraço a cidade de frente, estendo-me no mais puro dos reencontros. Tudo é possível.
As palavras soltam-se das imensas páginas e segredam-me a importância do um tempo ainda mais intacto. Hoje desaguo no Atlântico, devolvendo ao horizonte da cidade o rasgo urgente.
Hoje permaneço.
Debruço-me sagitariana sobre o porto onde caixas de cores vivas viajam os meus desejos mais elevados. Únicos, demorados, “resgatantes” e sem receio, a entrega é absoluta. E como uma mulher livre, vivo a dádiva numa morada que não precisa de nome. É o topo de uma montanha imensa, onde toco o céu com a ponta dos dedos. Hoje, de onde abraço o Cristo de frente Lisboa, é imaginável.
E se hoje demoro-me no mais cúmplice dos lugares, amanhã serei mais extensa. Como a minha cidade.

Lisbon Golden Guide, Fevereiro de 2009

27 Fevereiro 2009

Descobrir l no poder da transformação


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Com duas lojas marcantes na Rua do Rosário - a mais apetecível mercearia biológica do país e uma loja de design estimulante - a cidade do Porto continua a dar muitas cartas irreverentes. Ainda uma morada escandinava para organizar ideias e inspirar muito ar puro.

26 Fevereiro 2009

absolutamente rasgante


Absolutamente rasgante esta acção da T-Mobile na estação de metro de Liverpool Street, em Londres. Numa 2ª feira sem história e sem aviso prévio 70 bailarinos misturaram-se com os viajantes da cidade, proporcionando este happening memorável. Tudo foi planeado e ensaiado durante 8 semanas, sem conhecimento do público. Obrigada Jo pela partilha. It's good to be alive. :-)

24 Fevereiro 2009

la condetaria


na distância da memória,
o percurso é hoje imenso.

19 Fevereiro 2009

Descobrir l elegantemente subtil

clique na imagem ou aqui páginas 10 e 11.
As sugestões do restaurante de um dos hotéis mais concorridos da cidade, confirmam a urgência de alargar a nossa lista a mais uma cantina de luxo na capital. Na simplicidade dos objectos destaco a subtileza elegante de Piet Stockmans e porque as montanhas existem para as sonharmos e as vencermos, a escapadela eleva-se por terras de Granada.

17 Fevereiro 2009

A cidade na ponta dos dedos l Um elogio ao design


clique na imagem ou aqui.
Em Lisboa ou na extensão de qualquer outra morada partilho lugares que completam a ideia de mundo. Porque a homenagem merecerá sempre, para o destino mais calmo dos imprescindíveis amigos silenciosos, uma peça que é um verdadeiro elogio ao design.
publicado na revista Única do Expresso a 14 de Fevereiro 2009.

16 Fevereiro 2009

no fio da navalha

13 Fevereiro 2009

Descobrir l no alcance dos passos largos


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Mais do que um restaurante, o Bocca que uma morada de culto da cidade de Lisboa. Com um serviço e qualidade acima da média fiquei rendida a uma das melhores cozinhas da capital. A irreverência dos All Star verdes, numa equipa que se move a boa energia serviu ainda de inspiração, a uma viagem que nos transporta pelas ruas da cidade. Em Lisboa ou em São Francisco, a distância alcança-se sempre a passos largos.

06 Fevereiro 2009

Descobrir l seja pela luz


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Seja pela luz da obra de Regine Schumann, seja pelas sensações da iluminada Casa da Música, ou pela luminosidade que transportamos, esta semana sugestões cúmplices aos sentimentos mais dinâmicos. Para refrescar ideias em tempos de crise, um bar feito de gelo e duas exposições “elogiantes” à beleza dos nossos momentos mais viajantes.

01 Fevereiro 2009

miss breathe


com um céu transformado em atlântico
e de volta às origens,
I just need.

miss learning

mib

entenda-se por "mib", uma message in the bottle

30 Janeiro 2009

Descobrir l um Porto mais vintage


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

Nas ruas do Porto perco-me em moradas de objectos antigos, que referenciam uma época a que hoje chamamos de vintage. Sempre compreendidas entre os anos vinte e oitenta, envolvem-se num período que separa as antiguidades da segunda-mão. A escapadela merecida faz-se dentro de portas com uma poética guest house e uma das receitas mais desejadas do mundo.

26 Janeiro 2009

A cidade na ponta dos dedos l Porto, uma cidade sofisticada


clique na imagem ou aqui.
A descoberta do Porto surpreende-me sempre como uma cidade inovadora de contrastes, entre as românticas esquinas do passado e uma atmosfera contemporânea muito trendy. Elevo por isso dois dos restaurantes mais sofisticados, sem repetição na capital e ainda cápsulas energéticas, que fundem o poder da água às energias da natureza.
publicado na Revista Única do Expresso, a 24 Janeiro 2009

23 Janeiro 2009

Descobrir l com uma arte elevada


clique na imagem ou aqui páginas 10 e 11.
Numa viagem onde nos esperam as mais alcançáveis divas do mundo, num restaurante concorrido pelas sensualidades que as paredes transportam, ou com objectos de culto à distância de um clique, a convite é para viajar com uma arte elevada. E porque as divas portuguesas estão a dar cartas numa das cidades mais cosmopolitas do mundo, um merecido fim-de-semana em Londres, com descanso num eloquente jardim suspenso.

16 Janeiro 2009

Descobrir l quando o Palácio eleva a cidade


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.
Sempre que visito a cidade do Porto lanço-me a um emocionante sorriso rasgado. São dias onde magicamente marco reencontro com o rigor da qualidade, com disponibilidades espontâneas e com os mais sofisticados restaurantes do país. Numa morada que enaltece a oferta mais carismática das terras do Norte, uma elevação merecida ao Hotel Porto Palácio e ainda uma marcação ao tão esperado Douro 41, o novo projecto do grupo Quinta das Lágrimas que promete um abraço generoso, a um dos mais bonitos rios do mundo.

12 Janeiro 2009

A cidade na ponta dos dedos l De onde alcanço a beleza do mundo


clique na imagem ou aqui.

No resgate a um ano mais absoluto, procuro as montanhas de onde alcanço a beleza do mundo. Na nossa morada mais sagrada, numa escapadela ao ritual de um dia exclusivo, ou à mesa com os amigos, onde me estendo a tudo o que existe, partilho esta semana a intensidade do meu agradecimento.

publicado na Revista Única do Expresso, a 10 Janeiro 2008

09 Janeiro 2009

Descobrir l com alma sobre a cidade


clique na imagem ou aqui páginas12 e 13.

No acolhimento de um balanço do ano anterior, ou na escolha das montanhas que quero subir no ano presente, Janeiro será sempre um tempo introspectivo. Porque as viagens fazem-se no lugar mais sagrado das nossas casas, ou nos cafés da cidade, onde somos elevados à ideia de mundo, partilho as minhas inspirações mais desejadas.

07 Janeiro 2009

na senda da perseverança


na minha lista do outlook, tenho o privilégio de ter amigos geniais. amigos que não têm prazo de validade, que não perdem luz com o tempo. hoje queria partilhar um desses visionários, que mesmo na distância, vai iluminando, lado a lado, aquilo que tanto defendo há alguns anos. A auto-estima de Portugal e a perseverança de um sorriso rasgado. obrigatório ler aqui.

06 Janeiro 2009

A cidade na ponta dos dedos l Uma Lisboa resplandecente


clique na imagem ou aqui.

Com as virtudes de uma bebida viajante, que Wenceslau de Moraes tanto sublinhava no abraço à afectividade, e com o exotismo do cacau de São Tomé e Príncipe, esta semana uma elevação a irresistíveis tentações. A elegância descontraída da casa de chá Boulan no Estoril, a poderosa loja de chocolates Cláudio Corallo em pleno Príncipe Real e os sofisticados presentes da Charcutaria Moy alcançam nesta quadra, a satisfação de mais um sorriso rasgado.

publicado na Revista Única do Expresso, a 27 Dezembro 2008

02 Janeiro 2009

number two


Já saiu o número dois da revista magnética.
Bravo. Portugal agradece.

01 Janeiro 2009

num tempo que nunca acaba


hoje vesti-me de amigos de luz,
de amigos que não têm prazo de validade.
de amigos que não se alteram com o tempo.

30 Dezembro 2008

rasto no céu de Lisboa


Durante o ano de 2008, a Nasa tirou fotografias fantásticas da Terra, entre elas o registo do rasto deixado pelos aviões no céu de Lisboa.
Descubra mais quadros aqui.

Descobrir l hoje permaneço


clique na imagem ou aqui páginas 14 e 15.
E se o mundo acabasse amanhã? Enquanto seres humanos, teríamos nós, elevado a nossa existência? Numa semana em que assisti à mais delicada fragilidade da vida, elevo os amigos mais límpidos. E confirmo o pensamento do poeta, quando escreve que nesses dias distantes a vida pode ser interminável.
Hoje, observo de novo um dos estandartes de Al Berto que guia a minha Lisboa na ponta dos dedos, em que cidade fechámos as pálpebras para nos amarmos?

25 Dezembro 2008

natal II


hoje apenas escuto
e abraço.

natal


Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.
Nascemos muitas vezes ao longo da infância
quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.
Nascemos na sementeira da vida adulta,
entre invernos e primaveras maturando
a misteriosa transformação que coloca na haste a flor
e dentro da flor o perfume do fruto.
Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso
e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.

O que Jesus nos diz é:
"Também tu podes nascer",
pois nós nascemos, nascemos, nascemos.

José Tolentino Mendonça

23 Dezembro 2008

o poder da luz



O Natal invade a cidade.

Depois de ter percorrido as ruas da Baixa Pombalina, e de ter recolhido as imagens do que fizeram este ano com a minha capital, registo as imagens pela ponta dos dedos. Sempre com a certeza que a simplicidade mais branca, será sempre uma vitória mais concisa na decoração da quadra, enalteço o elogio à simplicidade.

Partilho o meu olhar demorado na Avenida da Liberdade ou o efeito da torre da cidade luz, nas paredes da Praça mais bonita da Europa. Elogios e algumas críticas à parte, as luzes do mês Dezembro alcançam sempre uma dimensão mais profunda. Se os sorrisos das ruas portuguesas não são por norma rasgados, este ano o Natal teme uma atmosfera mais frágil.

Mas a luz natural, essa permanece na magia ou na dádiva da fama internacional. O privilégio é imenso. E se hoje confirmo que as minhas duas mãos não chegariam, para resgatar toda a dimensão da luz de Lisboa, num momento mais recolhido, agradeço uma cidade, que mesmo com o imenso por fazer, nos enaltece. Sempre.

Lisbon Golde Guide, Dezembro 2008

22 Dezembro 2008

trapézio

19 Dezembro 2008

Descobrir l quando o pecado mora ao lado


clique na imagem ou aqui páginas 20 e 21.
Com o Natal à porta, as loucuras alcançam a lista das permissões mais elevadas. Por isso esta semana, chocolate irresistível de todas as formas e feitios, numa quadra em que quase tudo é permitido. Numa das lojas mais bonitas do Porto, ou nas mais apetecíveis chocolatarias da capital, a ordem é mesmo para se deixar alcançar pelo mais generoso pecado do mundo.

16 Dezembro 2008

na fragilidade


na fragilidade,
elevo os sentimentos mais puros.

15 Dezembro 2008

A cidade na ponta dos dedos l No abraço à afectividade


clique na imagem ou aqui.

Com as virtudes de uma bebida viajante, que Wenceslau de Moraes tanto sublinhava no abraço à afectividade, e com o exotismo do cacau de São Tomé e Príncipe, esta semana uma elevação a irresistíveis tentações. A elegância descontraída da casa de chá Boulan no Estoril, a poderosa loja de chocolates Cláudio Corallo em pleno Príncipe Real e os sofisticados presentes da Charcutaria Moy alcançam nesta quadra, a satisfação de mais um sorriso rasgado.

publicado na Revista Única do Expresso, a 13 Dezembro 2008

12 Dezembro 2008

Descobrir l um bosque sobre a cidade


clique aqui páginas 12 e 13 ou
Em tempos de lareira e muitas castanhas com erva-doce, os aromas do bosque estendem-se sobre a cidade. Em ambientes misteriosos, conversas longas, passeios revigorantes e sentimentos perdidos pelas florestas da nossa imaginação, as descobertas desta semana elevam-nos a um encontro com a natureza. Ainda sabores intensos, de caça, chás fumados ou trufas brancas, tudo abençoado pelos mais elegantes e carismáticos chapéus de Lisboa.

09 Dezembro 2008

na extensão da beleza


hoje,
o mundo inteiro
cobriu-se de freseas brancas.

05 Dezembro 2008

Descobrir l Na vanguarda contemporânea


clique na imagem ou aqui páginas 20 e 21.
É com alegria e convicção, que dou os parabéns ao Santos Design District, pelos seus 3 anos de existência. Promovida pela associação empresarial e as mais importantes lojas de design de Santos-o-Velho, a dinamização do bairro que abraça o Tejo, pede particular atenção este fim-de-semana. Com uma programação especial, promoções, surpresas e produtos exclusivos e em horário alargado, Lisboa volta a acontecer. Sempre na vanguarda contemporânea, o SDD é um exemplo que orgulha a cidade de Lisboa, uma das mais bonitas do mundo.

Extraordinário l Natal


algum espírito de Natal aqui.

03 Dezembro 2008

myself and I


o futuro alcança-me
no abraço do desconhecido.
guiada por uma energia sem rosto
e sem sombras de caminhantes,
esta é uma viagem onde permaneço.
hoje.

29 Novembro 2008

A cidade na ponta dos dedos l Na elevação das essências


clique na imagem ou aqui.
No rasto da segunda pele, uma voluptuosa liberdade com a convicta homenagem a uma das lojas mais sonhadoras de Lisboa. Mais do que um espaço irreverente, onde respiram banhos de Cleópatra ou perfumes exóticos de Baudelaire, o Epicurista é um testemunho vivo de uma cidade ambiciosamente mais europeia. A descobrir uma das lojas mais energéticas de Nova Iorque e memoráveis sabonetes nacionais, para portugueses sempre confiantes.
publicado na Revista Única do Expresso, a 29 Novembro 2008

28 Novembro 2008

Descobrir l na ampliação da linguagem


clique na imagem ou aqui nas páginas 20 e 21.
Na congelação das imagens que nos envolvem, o convite transporta-nos à extensão da linguagem emocional. Com a inauguração da exposição BESart - Colecção do Banco Espírito Santo, “O Presente: Uma Dimensão Infinita”, Lisboa entende-se ao registo de conceituados artistas nacionais e internacionais. Num outro “arquivo de vida”, ainda uma viagem nostálgica às imagens de Rui Calçada Bastos, no Hotel do Bairro Alto, e uma viagem insular de Alexander Koch. Porque a escapadela merece silêncio, ainda três reflexões silenciosas e sensoriais, do magnânimo Henri Cartier-Bresson.

26 Novembro 2008

maturação


na elevação da linguagem,
abro portas
e estendo-me às palavras futuras.

25 Novembro 2008

como a cor do Atlântico



Lisboa inundou-se de um azul lindo.
A irreverência deve-se à intenção de Eko Five, um graffiter que agarrou no projecto de arte pública do catalão Blai Mesa e da brasileira Verônica Volpato “Da Onda Magnética”. As intervenções aconteceram em 11 portas de edifícios devolutos e o registo partilhado encontra-se na praça do Príncipe Real.
Se o azul é questionante, a frase inscrita não deixa margem para dúvidas. E se hoje reinvento as palavras da língua portuguesa, mergulho na mensagem “iremos mais longe ao voltarmos às origens”. O caminho será sempre na direcção da palavra futura.
Na não perseverança de uma atmosfera de crise questiono-me sobre os erros da história ou no rasgo que confirmaram os portugueses de outro tempo como pioneiros da globalização.
Se o voltar às origens fosse nunca perder o alcance visionário e construir uma cidade única no mundo, Lisboa seria com certeza mais luminosa.
É que as capitais distintas fazem-se com uma imensa vontade e a distinção estará na irreverência realista da concretização dessa ambição. De preferência verdadeira e persistente, como a cor do Atlântico.
Lisbon Golde Guide, Novembro 2008

na elevação do caminho


Se me puderes ouvir
O poder ainda puro da tuas mãos
é mesmo agora o que mais me comove.
descobrem um destino que passa
e não passa por aqui

à mesa do café trocamos palavras
que trazem harmonias
tantas vezes negadas:
aquilo que nem ao vento sequer
segredamos.

mas se hoje me puderes ouvir
recomeça,
medita numa longa viagem

(...) JTM in Baldios

21 Novembro 2008

Descobrir l no limbro da genialidade


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

20 Novembro 2008

miss expression


na FAC,
auto-retrato dentro da obra.

18 Novembro 2008

miss lightness


as luzes estão de volta.
mais uma vez a falta de simplicidade
afecta a beleza da minha cidade.
as preferidas,
Avenida da Liberdade pela simplicidade
e luzes eiffelianas
nas paredes da praça mais bonita do mundo.

17 Novembro 2008

Desenrascanço

from Wikipedia, the free encyclopedia
Desenrascanço (impossible translation into English) is a Portuguese word used in certain specific contexts and situations. It is used to express an ability to solve a problem without the adequate tools or proper technique to do so, and by use of sometimes imaginative resourcefulness when facing new situations. Achieved when resulting in a hypothetical good-enough solution. When that good solution escapes us we get a failure. Most Portuguese people strongly believe it to be one of their most valued virtues and a living part of their culture. However, some critics (...) are of the opinion that the concept is related to the discoveries period of the 15th century. But sceptics doubt there is any substantial proof of that relation.In the 16th and 17th centuries it was very common for other exploring nations, such as the Dutch, to bring a Portuguese national along during the voyages, because the Portuguese were allegedly the most skilled and knowledgeable in the proper handling of the occasional emergency aboard the ship when the control of the vessel was given to them (what is known among the Portuguese as 'desenrascanço'). Desenrascanço is in fact the opposite of planning: it's managing that any problem does not get completely out of hand and beyond solution.

14 Novembro 2008

miss sexy?


as pétalas não caberiam na
dimensão do meu sorriso rasgado.
Obrigada ao post Atlântico.

Extraordinário l Luxo



para viajar num dia de Luxo em Portugal, clique aqui.

13 Novembro 2008

Descobrir l Na extensão da eternidade


clique na imagem ou aqui páginas 18 e 19.

O Senso e a Cidade

por alguns instantes,
foi de férias.

novidades em breve.

do talento


or just
miss decandent chic.

11 Novembro 2008

miss green


enquanto se abraçam em segredo,
as energias envolvem o universo.
"dizias tu do vento?"

a caminho da liberdade


uma enorme nódoa negra,
no final da Rua do Salitre.

10 Novembro 2008

miss decadente chic



não é todos os dias que podemos encarnar
o exponencial da pele de uma diva.

será que a Fontana di Trevi cabe no Maxime?

09 Novembro 2008

santos


na casa.

07 Novembro 2008

Descobrir l Lisboa acontece


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

03 Novembro 2008

casados de fresco



é num dia muito especial para a minha história de vida,
que comunico com entusiasmo e convicção, o casamento
da criarte com os representantes da Moleskine em Portugal.

é sempre estranho ver partir parte de um filho,
mas a língua portuguesa merece e o meu lifestyle business também.

sem dúvida, uma libertação saudável,
a quem quer continuar a espalhar a nossa língua no Mundo.

02 Novembro 2008

gémeos


o que de mais belo soube
(sempre o) disse de repente
a alguém que não conhecia.

José Tolentino Mendonça, in Frésias

retroseiros preservados

abandonada à vários anos,
estão finalmente a recuperar
a mais bonita loja da Rua da Conceição.
e dizem que vão manter os estuques.
to be continued


Lisboa, o plano da Baixa hoje


"para os humanistas, mais que tudo isso, o terramoto foi uma oportunidade"
Comemorando os 250 anos do plano de Lisboa de 1758 e com o fim de dinamizar o debate em curso sobre a reabilitação da Baixa de Lisboa, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu promover a realização de uma exposição de grande escala onde o processo urbano de reconstrução do seu centro pós-1755 será apresentado ao grande público e aos especialistas.
A viagem contou com 3 horas com a voz de Water Rossa acompanhada da excelente notícia que a exposição estará aberta por mais tempo, a iniciar já na próxima 6ª feira,.
Páteo da Galé, Terreiro do Paço, todos os dias das 11h - 19h
mais aqui

30 Outubro 2008

Descobrir l quando Lisboa não dorme


clique na imagem ou aqui páginas 12 e 13.

O Senso e a Cidade l o Tejo das costas Largas



Sendo Lisboa uma cidade de sete colinas, proporciona-me altos e baixos estimulantemente contrastantes. Mas além da altura da sua beleza indiscutível, existem momentos reduzidos aos quais não me pretendo nunca me conformar.
Um desses exemplos acontece sempre que me desloco a um dos 4 cartões-de-visita da capital, a Bica do Sapato, o Delidelux, o Casanova ou o Lux. Todos exemplos contrários à construção aberrante da Agência de Segurança Marítima e do Observatório Europeu de Droga e Toxicodependência, que viram as costas ao Tejo em pleno Cais do Sodré.
Serão sempre e até ao dia em que o céu me volte a receber, uma irreversível e vergonhosa pedra do sapato. Como se este desabraço ao rio, oferecido de mão beijada não bastasse, a ampliação do terminal de contentores de Alcântara que o Governo quer levar por diante, implicará uma muralha com cerca de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de altura, entre a minha querida capital e o Tejo.
Sem qualquer concurso público o alargamento da exploração do terminal de Alcântara, por mais 27 anos é justificado pelo Governo como uma compensação ao investimento de mais de 220 milhões de euros, que a Liscont vai fazer na obra de ampliação do terminal.
Eu sempre gostei de portos. Eles alongam-me ao Atlântico, sempre que observo os contentores de diferentes cores. Mas será preciso continuar a desperdiçar lugares centrais para o abraço da cidade ao Tejo, ainda mais numa zona que promete revitalizadores projectos de Frederico Valsassina, Aires Mateus, Jean Nouvel e Mario Sua Kay com o esperado projecto Alcântara XXI?
E escrevia eu sobre a ideia de mundo…
assine a petição aqui.

leilão Fernando Pessoa


é já no dia 13 de Novembro, às 21h no CCB.
mais info aqui.

miss cool


the first boutique "chain,"
W started the trend for a network of branded urbane-style properties
and has just launched its latest edition W Hong Kong.

29 Outubro 2008

na liberdade semântica


clique na imagem ou aqui página 9.

Livre é um livro gráfico com exercícios que alcançam de diversas formas as potencialidades semânticas, visuais e sonoras da escrita. Resultado de um jogo que sublinha o carácter polissémico, espera-se surpresa, reflexão e alguns sorrisos rasgados que José Oliveira Baptista partilha neste seu estimulante projecto.
Ainda duas sugestões distantes mas complementares, já que a liberdade da língua portuguesa goza de regras inquestionáveis e de muita poesia esvoaçante.

just corporate and premium



O Meia Hora vai a partir desta semana abandonar a distribuição de rua nos semáforos, confirmou ao M&P António Zilhão, administrador da Metro News, considerando que esse ponto de distribuição “não contribui para o posicionamento do título”.

De acordo com a apresentação feita ao mercado aquando do lançamento do gratuito, em Maio do ano passado, os semáforos representavam 50% do mix de distribuição do “gratuito de referência”, no qual a Cofina e a Metro News investiram cerca de dois milhões de euros no lançamento.

“Há excesso de distribuição de jornais na rua”, considera António Zilhão, afirmando que com esta saída o Meia Hora vai “contribuir para um trânsito mais fluído” e, com este abandono deste ponto de distribuição, “estará mais próximo do público do título”. A mudança vai implicar um reforço do Meia Hora em pontos de distribuição fixos onde o gratuito marca presença, nomeadamente centros de escritórios, SPA ou lojas Gourmet, perfazendo “mais de 600 pontos fixos de distribuição”, assegura o responsável da Metro News.

Com esta transição, que segundo o responsável estava prevista na estratégia do título, a editora pretende, assegura, “investir noutros eixos”. A aposta passa, admite o administrador, pela expansão do Meia Hora a outras cidades, escusando-se, no entanto, a especificar quais e a partir de quando.

mais aqui.

e se a bolha explodisse?

depois de ler o artigo de João Meneses no Diário Económico de hoje.

28 Outubro 2008

amanhã


somos
o que construímos.

o papel da imaginação


clique na imagem ou aqui página 10.

27 Outubro 2008

o melhor


Cristiano Ronaldo foi escolhido pela Federação Internacional dos Futebolistas Profissionais (FIFPro) como “Jogador do Ano” da época 2007/2008. O anúncio foi feito hoje, ao início da tarde, no site do organismo, que reúne cerca de 57.500 membros, provenientes de 42 países, um pouco por todo o planeta. mais aqui

26 Outubro 2008

warm up com Peter Zumthor


Como warm-up, da Bienal Experimenta Design 2009, vale a pena vir aqui ver uma exposição do arquitecto Peter Zumthor.
A viver numa das minhas casas de sonho, o arquitecto das famosas Termas de Vals, na Suíça, marca o regresso da Bienal Experimenta Design.
20 anos de carreira, 29 projectos e duas instalações-vídeo onde podemos experienciar 12 edifícios do arquitecto suíço à escala real.
até 2 de Novembro na LX Factory, em Lisboa.

le cool book


hoje chegou finalmente o meu guia le cool Lisboa.
a adquirir aqui.

24 Outubro 2008

O Senso e a Cidade l A cidade tímida


clique aqui página 8 ou
Nas cidades do mundo existem rituais sagrados e convictos a uma cidade mais plena. O mercado biológico na Praça do Príncipe Real, ao Sábado de manhã é um desses momentos, onde os Lisboetas alcançam uma qualidade de vida mais inteira.
Preservarmo-nos é bom e termos tempo para abrir o nosso lado mais criativo também. Em apenas cinco minutos a pé do mercado encontramos uma das lojas mais preciosas da cidade de Lisboa. Do mundo e para o mundo, os encontros fazem-se em línguas ecléticas e sorrisos rasgados, não fosse a sua mentora uma das fadas madrinhas do comércio de rua desta cidade.
Paralelamente à elegância da Luvaria Ulisses, na Fabrico Infinito existem candeeiros vintage, leques com penas, chapéus originais, música escolhida a dedo e uma esplanada, onde a alemã Tanja Baur oferece o mais sofisticado brunch da cidade.
O espaço é um achado, mas acima de tudo é quase sempre partilhado por estrangeiros que nunca passam indiferentes às originais montras da brasileira Marcela Brunken.
Num destes dias, partilhei uma mesa, com um jornalista holandês e um fotógrafo sueco que faziam um artigo sobre “Lisboa alternativa, a cidade que promete”. Além da troca de impressões dos meus dias na antiga Batávia, descreveram fascinados a nossa capital, como “criativa, energética e tímida”. À análise bem conseguida, acrescentaram a não compreensão de um bom plano de marketing a uma cidade surpreendente, que continua guardada como um tesouro aos olhos do mundo.
Remataram com a frase “you already have the most difficult”… um facto inquestionável para inspirar a luta dos mentores e pioneiros desta Lisboa sempre tão única.
publicado a 24 de Outubro no jornal Meia Hora

Descobrir l uma outra exploração


clique na imagem ou aqui páginas 10 e 11.

23 Outubro 2008

Paris, le film

mais uma história de Cédric Klapisch
com Romain Duris e Juliette Binoche.
ce qui me mieut,
ou mesmo uma outra normalidade?

Nos sentimentos perserverantes


clique na imagem ou aqui página 10.

Sempre abraçado à genialidade das palavras, Miguel Esteves Cardoso escreve-nos no seu último livro que a vida come-se quando é boa, come-nos quando é má. E às vezes, quando menos esperamos,também comemos com ela. Ainda que em Portugal, antes de todas as coisas, está o tempo. Este tempo. Este que ninguém nos pode tirar e a que os povos com tempos piores chamam, à falta de melhor, clima. Viciada em sentimentos perseverantes, uma segunda pele de uma cor obrigatória e genial para dias de crise e um esforço compensatório, sempre com o objectivo de alcançar a mais elevada das vistas.

21 Outubro 2008

ao viajante de Alfama

a verdade é que esta podia ser eu.

tentei roubar o momento
para partilhar neste blog, mas não consegui.

obrigada ao viajante
pela ponta dos dedos.

na certeza do azul



A minha Lisboa alarga-se com os viajantes.
Quando regressei a Portugal transportei o receio de perder o contacto com os curiosos do mundo, mas depressa conclui que um dia de malas na mão, eternas asas largas.

Viajar será sempre um dos objectivos mais prodigiosos de uma vida humana e quando me lanço ao tamanho do globo abraço a cumplicidade de Almada Negreiros, quando confirmava que os seus anos de vida não chegariam nem para metade da livraria.

As viagens serão sempre mais soberanas na riqueza da experiência humana e por isso o caminho eleva-se com os outros, esses seres que nos enriquecem e nos estendem a alegria da existência.

Em terras lusas cruzei-me com um amigo livre de terras francesas. Há dois anos a viver em Lisboa, para concluir um doutoramento sobre os fogos nas florestas, a sua expressividade na língua portuguesa é exímia, a sua paixão por Portugal também.

Porque uma capital conduzida por um estrangeiro é uma experiência sempre exuberante, deixei-me levar pela sua Lisboa. E foi pela mão da sua curiosidade que me cruzei com o miradouro de Santo Estevão, uma certeza azul e surpreendente, onde o Tejo se espelha e o mundo se espalha.

Lisbon Golde Guide, Outubro 2008

20 Outubro 2008

mais doc Lisboa


Giuseppe Verdi era a sua “melhor criação”, destinada a servir todos os que nunca viessem a ter a mesma sorte que ele tivera na vida. Fundada pelo célebre criador de óperas, a “Casa di Riposo” (espaço que hoje ainda existe na Praça Buonarotti em Milão) foi construída para receber artistas falhados, velhos cantores de ópera e músicos aposentados. Il Bacio di Tosca mostra a forma como os mesmos revivem e reproduzem os seus antigos triunfantes papéis de palco, num quotidiano marcado pelas recordações e memórias dos espectáculos. Vissi d’Arti, uma das árias emblemáticas de Puccini é o tema central deste filme – que está entre os maiores da história do cinema. in Doc Lisboa







Filosofia Ecológica


clique na imagem ou aqui página 11.

19 Outubro 2008

Weltliteratur






video

mais aqui.

doc Lisboa


"vê-se melhor
com as pupilas da alma".

17 Outubro 2008

extraordinário


viaje mais por aqui.

Descobrir l na magnitude do silêncio


clique na imagem ou aqui páginas 10 e 11.

miss on fire



hot night Jameson no Museu dos Bombeiros de Lisboa.
sombras e happenings
à altura da mais bonita campanha da cidade.

video

renovado


o Tavares Rico reabriu ontem,
dia em que fez 225 anos de existência.

confesso que da intervenção esperava uma irreverência mais contrastante,
mas o fim de tarde iluminou a capital,
e o surpreendeu com um foie gras brullé inquestionável.

venham as estrelas.

Resgatar l na senda do exotismo



clique na imagem ou aqui página 13.
Ana Hatherly estreou-se como poeta em 1958 com o livro Ritmo Perdido. Como um importante membro do grupo de Poesia Experimental Portuguesa dos anos 60 e 70, impulsionou o projecto vanguardista que establecia o cruzamento entre a literatura e as artes visuais. O Pavão Negro foi inicialmente o tema de uma exposição de trabalhos apresentada no Porto, em 1999, na Galeria Presença, inserindo-se no caminho percorrido desde os anos 60. E se as páginas transportam vazios que prendem o tumulto da voz, o caminho enaltece-se em formas largas guardando com exotismo, tesouros escondidos a negro.

15 Outubro 2008

O Senso e a Cidade l De um azul lindo


aqui página 7 ou

No seguimento do senso da semana passada e porque somos seres humanos mais luminosos, quando vemos os desafios da vida pelo lado menos cinzento, esta semana o agradecimento ao poder do azul.

A implementação cromática em alguns prédios devolutos da cidade foi uma ideia de Eko Five, um graffiter de 32 que agarrou no projecto de arte pública "Da Onda Magnética” do catalão Blai Mesa e da brasileira Verônica Volpato.

As intervenções no património mal tratado, atenuam sem qualquer dúvida a desilusão da não preservação dos edifícios da cidade. Implementadas em Agosto, enquanto Lisboa descansava e porque o efeito surpresa tem sempre uma força de impacto acrescida, as onze portas entaipadas foram pintadas de um azul lindo, o qual não me atrevo a definir por palavras. As operações tiveram lugar na Avenida da Liberdade, Calçada de Santo André no Castelo, Rua Bernardo Lima ao Conde Redondo, Rua das Escola Politécnica, Rua das Janelas Verdes, Rua Angelina Vidal no Intendente, Rua de São Lázaro ao Martim Moniz, Rua das Fontainhas na Mouraria, Rua da Regueira em Alfama, Largo do Príncipe Real e a minha preferida no número 29 da Rua Sousa Martins.

Confirmo a magnitude da cor e o enaltecimento dos viajantes da cidade, quando deparados com frases e pensamentos, que nos movem cada vez que lemos “algo de bom vai acontecer, os optimistas estão por perto”. Além de recriar uma capital interactiva, a intervenção é rigorosa no que toca a não estragar o património e se a ideia é genial, relendo as palavras da porta da Mouraria, a missão a uma preservação incompleta, mostra-se gloriosamente perfeita.

publicado a 16 de Outubro no jornal Meia Hora